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quarta-feira, dezembro 23, 2009

CONHECENDO O CHILE - INTRODUÇÃO

No início do mês, tive a oportunidade de ir a Santiago - Chile participar de um simpósio sobre EB. Foi uma viagem muito boa, tanto pelo Simpósio em si, que agregou muitos conhecimentos novos aos que eu já tinha, além de eu ter dito a oportunidade de compartilhar experiências minhas com os que estavam lá presentes, quanto pelas maravilhosas pessoas e lugares que conheci, além de, é claro, desenferrujar e aprender um pouco mais de espanhol.

A parte chata da viagem foi "trabalhar" de tradutora sem ganhar nada em troca. Mesmo que meu espanhol não seja lá essas coisas, pois tem muito tempo que parei de estudar o idioma, eu me esforçava para falar o espanhol mais correto possível, e as pessoas de lá sempre me entendiam e ainda ousavam me elogiar, dizendo que eu falava espanhol muito bem, o que sei não ser a realidade.
Em primeiro lugar, eu tinha que traduzir para minha mãe algumas das respostas que as pessoas davam. Ela, como tem noção de como conversar com estrangeiros (ou seja, falando devagar, pronunciando bem as palavras e sem usar regionalismos, procurando falar o português mais correto possível), pelo menos quando perguntava, os outros a entendiam na grande maioria das vezes, mas nem sempre ela conseguia compreender as respostas, pois muitas vezes continham palavras do espanhol que não possuem semelhança com o português, o que é normal.
O problema é que no Simpósio haviam mais 3 brasileiras que não sabiam espanhol nem como conversar com estrangeiros, então elas eram, muitas vezes, simplesmente incompreendidas. Daí o médico que coordenava o Simpósio (o qual eu já conhecia) após fazer uma cara de interrogação, virava para mim e dizia meu nome seguido de "traduzca!". Daí eu que tinha que me virar para dizer em espanhol o que as outras brasileiras tinham dito.

As postagens seguintes relatam um pouco dos passeios e das curiosidades do pouco que tive tempo de conhecer do Chile. O que posso dizer, baseada no que eu conheci, é que Santiago é uma cidade muito bonita e bem arborizada, com pessoas muito educadas e gentis com os turistas.Vale a pena conhecer!

CONHECENDO O CHILE - PASSEIOS TURÍSTICOS

Como cheguei a Santiago 1 dia antes do Simpósio e saí 2 dias depois, e considerando que o sol lá se põe às 20:30 e até 21h ainda está claro, consegui passear até bastante.
No primeiro dia, fizemos um city tour para conhecer um pouco da cidade: museus, praças, prédios históricos, o Palacio de la Moneda, a casa do Pablo Neruda e por fim fomos ao Cerro San Cristóbal, um morro lindo com diversas atrações turísticas.
No dia seguinte começou o Simpósio, mas como acabava às 5 da tarde,ainda deu tempo de passear. Fizemos amizade com umas colombianas que participavam do evento e fomos ao Pueblo Los Dominicos, um espaço enorme onde são vendidos artesanatos diversos, um pouco de comida e até animais. O local é tão grande que, mesmo após caminhar por 1:30, não sei se vi a metade das lojinhas.
No dia seguinte, após o término do Simpósio, fomos a um supermercado, pois queríamos conhecer um pouco mais das frutas e castanhas produzidas por lá e ver preços de vinhos. O supermercado ficava ao lado de um grande shopping chamado Parque Arauco. Claro que eu não saí do Brasil pra ficar passeando em shopping. Nosso único objetivo era ir a uma loja chamada El Mundo del Vino, para degustarmos e compararmos preços dos vinhos. Lá compramos 2 vinhos da marca Equus, muito gostosos.
No sábado era dia de ir à forra e fazermos os passeios mais distantes. Primeiramente fomos à Vinícola Concha y Toro. Vimos a parreiras, os barris cheios de vinho, aprendemos um pouquinho e degustamos 2 vinhos: um branco e um tinto. Conhecemos também a lenda do vinho Casillero del Diablo, que pode ser lida em http://www.casillerodeldiablo.com
Depois almoçamos em um restaurante típico chamado La Vaquita Echá, onde havia um cantor de músicas folclóricas e um casal de jovens dançando a cueca, dança típica chilena.
Para encerrar o dia, fomos ao Valle Nevado, porque minha mãe se fosse embora de lá sem ver a neve ela teria um troço. Como não era inverno, obviamente não havia lá tanta neve, mas durante o ano todo fica alguma neve acumulada nos picos das montanhas. A subida da serra para chegar na estação de esqui, a mais de 3000m de altura, é um caminho muito tortuoso, com curvas fechadas e muito íngremes. Somente estas curvas são 52, sem contar as outras curvas "mais suaves". Minha mãe subiu morrendo de medo, brigando com o motorista dizendo que ninguém avisou a ela que era assim e que se ela soubesse, não tinha ido.
A visão das montanhas lá no alto é linda, mesmo com pouca neve. A paz interior é muito grande. Você se sente pequeno diante de tanta grandeza.

CONHECENDO O CHILE - ECONOMIA E GASTRONOMIA

Como a maioria dos países da América Latina, o Chile é um país inflacionado. No momento em que eu estava lá, um real valia 250 pesos chilenos. Logo, tudo que vc vai comprar lá custa muitos mil pesos. (Pelo menos o valor 250 ajudou muito na contas. Pra saber quanto gustaria algo em reais, bastava multiplicar por 4 e cortar os zeros.)
E o custo de vida no Chile não é barato, principalmente no quesito alimentação. Como talvez o único país do mundo em que existe "self-service" é no Brasil, lá, como era de se esperar, é tudo "a la carte" e em porções minúsculas, parecendo comida francesa. Aqui em Brasília, enquanto vc almoça muito bem um self-service caro pagando uns 25 reais por quilo (ou seja, 2 mulheres almoçam bem pagando 25 reais) lá em Santiago o almoço mais barato que pagamos foi 25 reais para minha mãe e eu, mas a gente saía com fome ainda, porque era uma porçãozinha de legumes, outra de peixe, uma de arrozinho e uma de batata (já que eu não como arroz), ou seja, uma comida levinha, que não sustentava. Pelo menos em todo lugar serve-se como entradinha uma cestinha de pães com pelo menos manteiga para passar no pão.
Assim que chegamos ao hotel, fomos nos informar sobre um bom lugar para comer mariscos. Fomos levadas a um restaurante chiquérrimo, chamado Puerto Fuy. O almoço saiu por mais de 200 reais para 2 pessoas, mas a comida e o vinho foram muito bons. Pelo que pesquisei na internet depois, parece que o restaurante é um dos melhores de Santiago. Todos os pratos incluem combinações inusitadas e deliciosas, além de um visual incrível, tanto da louça quanto da própria arrumação do prato. De tudo que experimentamos lá, o mais curioso foi o sorbet de limão e manjericão, que nada mais é que um sorvetinho com base aquosa servido em uma colher super estilosa. O objetivo dele é limpar o paladar entre a entrada e o prato principal.
O dia que comemos mais barato foi uma pizza de 4 pedaços no shopping, que custou, com bebidas e 10%, uns 30 reais. A pizza que comemos era muito curiosa. Os ingredientes eram palmito, champignon, aspargos e alcaparras. Embora exótica, até ai nada demais, já que são ingredientes comuns na culinária de lá. O esquisito é que cada fatia tinha apenas um dos ingredientes citados. Logo, tivemos que partir cada pedaço em dois para experimentarmos todos os sabores.
Passeios turísticos também são muito caros. Não é possível ir à Vinícola da Concha y Toro, mesmo em ônibus de turismo, por menos de 100 reais por pessoa. É claro que não tenho todo o dinheiro do mundo, mas já que eu já estava lá, tinha tempo livre e ganho bem atualmente, não custava nada fazer essas "extravagâncias" e sair de lá feliz, tendo feito um bom passeio turístico. Muito melhor do que voltar arrependida por não ter passeado o suficiente.
Eis minha dica: se for ao Chile, vá preparado para gastar, porque será necessário caso queira aproveitar sua viagem.

CONHECENDO O CHILE - CURIOSIDADES

  • O sol se põe põe às 20:30 e até 21h ainda está claro. Meu relógio biológico se adaptou a isso rápido, de tal forma que eu não conseguia dormir cedo, pois ainda estava claro.
  • Todo dia eu comia cerejas frescas no café da manhã no hotel. Não tem nem comparação com o sabor das cerejas em calda que comemos aqui. São uma delícia! Vimos um moço vendendo no sinaleiro um pacotão de cerejas por um bom preço (embora já não me lembre mais o valor).
  • Por toda a cidade há uma árvore que chamam de planta oriental e que tem aquelas folhinhas típicas de países que tem outono bem definido, em que as folhas secam e caem.
  • Segundo o taxista que foi nosso guia turístico por Santiago, em alta temporada no Valle Nevado, cerca de 90% das pessoas que visitam o lugar são brasileiros. E mesmo fora de temporada, pra todo lugar que íamos encontrávamos brasileiros.
  • Chegamos lá uns 10 dias antes da eleição para presidente e deputados. A cidade estava coberta de cartazes de políticos afixados no chão.
  • O trânsito é altamente confuso e caótico. Buzina-se muito. Segundo piada do nosso taxista/guia turístico, "homem que buzina não manda em casa!". Além disso, não faz muito sentido as conversões à direita e esquerda que são feitas; os carros viram onde não nos parece natural virar. Por fim, há diversas avenidas que mudam de sentido durante o dia. Tudo bem, por aqui temos a Estrutural, mas la é uma via expressa que não tem cruzamentos com outras vias. Lá, as avenidas que mudam de mão são bem centrais, com diversas ruas cortando-as, logo entrar na contramão é muito fácil.
  • No inverno, só se sobe até a estação de esqui até às 14h. A partir das 15:30 só é permitida a descida. Isso se não tiver ocorrido uma nevasca e não permitirem a subida.