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quarta-feira, dezembro 28, 2016

ISENÇÕES PARA DEFICIENTES EM SHOPPINGS NO DF

Considerando minhas experiências recentes com isenções de taxa de estacionamento de shoppings no DF para deficientes, relato pra vocês um panorama dos shoppings em que estive nos últimos meses:

  • Park Shopping: deficiente tem direito a isenção da taxa de estacionamento sem limite de tempo. A única chatice é ir em um guichê especifico, em frente à Forever 21, para validação. Mas a atendente me disse que a validação não precisa ser na saída. Pode-se ir ao guichê a qualquer momento, liberar o cartão e passar o resto do dia no shopping. 
  • Terraço Shopping: Isenção de 2h para deficientes. Liberação é feita em qualquer caixa de pagamento de estacionamento. 
  • Brasília Shopping: Isenção de 2h para deficientes. Tem que se ir em um balcão de informações localizado no térreo, próximo ao elevador panorâmico, que efetua a autorização da isenção. Necessário apresentar carteira de motorista. Na hora da saída, vai-se a qualquer caixa de estacionamento para liberação do ticket e pagamento o restante das horas, se for o caso. 
  • Pátio Brasil: Não dá isenção alguma. Portanto, um shopping a se evitar. 
  • Boulevard Shopping: Uma amiga me informou, via Facebook, que há isenção de 2h para idosos. Logo, é provável que tenha para deficientes. Não estive lá depois de receber esta informação para confirmá-la. (As vezes que fui lá, a muito tempo atrás, eu usava a isenção do Carrefour, que era ter 2h grátis para compras acima de um valor X que não me lembro mais. Não sei se isto ainda existe.) 
P.S.: A ideia é manter este post atualizado à medida que novas informações forem surgindo. Portanto, se tiver alguma informação a acrescentar, inclua nos comentários que eu atualizarei no post.


terça-feira, janeiro 12, 2016

EDUCANDO SOBRE VAGAS PREFERENCIAIS

Momento desabafo e boa ação do dia...

Hoje fui ao banco e, por ser um comércio movimentado, fui estacionar numa das vagas de deficiente localizadas junto ao supermercado que fica aos fundos do prédio. Ao dar a volta pra chegar nas vagas, já vi de longe uma camionete gigante parada numa delas e na mesma hora pensei: dificilmente se trata de um deficiente ali. Estacionei e fiquei só observando antes de sair do carro: havia um casal, de bobeira, com a porta entreaberta, e nada da plaquinha que permite a nós deficientes estacionarmos nas vagas preferenciais. Ou seja, uma cena clássica de um casal folgado que parou na vaga indevidamente enquanto outra pessoa foi no mercado. 
Não resisti e fui conversar com o casal assim que saí do meu carro. Cheguei na porta entreaberta e disse: "Boa tarde, cadê a placa de deficiente de vocês?" O que se sucedeu foi um monte de desculpas esfarrapadas obviamente. Dentre elas a clássica "acabei de estacionar aqui" e "vai ser rapidinho". E eu disse na cara deles que sabia que eles não tinham acabado de estacionar, pois dei a volta pra chegar na vaga na mão certa e vi de longe a camionete lá. 
Perguntaram se precisavam que saíssem da vaga pra eu estacionar. Eu agradeci, disse que já tinha estacionado na outra vaga, mas perguntei: "E se só tivesse uma vaga aqui e vocês estivessem justamente nela???" Nessa hora, outro clássico: "Eu tava aqui com a porta entreaberta justamente se fosse esse o caso." E eu contra-argumentei: "E se tivesse carro atrás e eu não tivesse como parar pra descer do MEU carro para de dirigir ao carro DE VOCÊS, que nem na vaga deveriam estar???". Por 2x eu disse a eles que só estava indo lá pois eu achava que eram pessoas de boa educação e que portanto, deveriam ter respeito pelas vagas das pessoas que REALMENTE precisam delas, o que não era o caso deles, pessoas saudáveis que podem caminhar o quanto desejarem. E no final reforcei de novo a ideia, sorri e desejei boa tarde. 
 Após subir a escada que me dava acesso ao prédio, observei que a camionete estava saindo da vaga. Isso é um forte indício de que minha conversa serviu de alguma coisa.

domingo, março 31, 2013

TROCA DE SELO DE DEFICIENTE + RENOVAÇÃO DA CNH

Como eu troquei de carro, eu precisava trocar o selo de deficiente no DETRAN, pois, para quem não sabe, o selo era associado à pessoa e ao carro, isto é, uma determinada pessoa só podia dirigir aquele único carro. Na parte de trás do selo contam seu nome e a placa do carro, indicando esta exclusividade. Eu, enquanto estava sem tempo de ir lá resolver e sem receber o documento do carro em meu nome, simplesmente colei o adesivo do carro antigo no novo. Se eu fosse parada numa blitz, eu poderia ter problemas.
Chegando lá, descobri que as regras mudaram faz alguns anos. Há uma credencial igual a de idoso, que pode ser usada em qualquer carro, o que facilita a vida, e tem a mesma validade da carteira de motorista. Além disso, pelo que eu entendi lendo as regras de utilização, não necessariamente eu preciso estar dirigindo. Se eu sair com alguém de carro, o carro pode ser estacionado na vaga especial, pois o veículo foi usado para o meu transporte.
Uma parte ruim é que o adesivo com o símbolo internacional de deficiência é um facilitador. Tendo o adesivo na frente do carro é muito mais fácil conversar com seguranças de guaritas de estacionamento, pois não preciso ficar dando muitas explicações para conseguir entrar em estacionamentos reservados para parar em vagas especiais. Eu já vi vendendo, mas não lembro onde. Tenho que comprar um pra por no meu carro agora. 
A outra parte ruim é que a credencial é impressa numa folha de papel A4 por uma impressora qualquer com tinta preta, simplesmente dobrada no meio, não pode ser plastificada e tem que durar 5 anos! Eu comprei um plástico daqueles que vem com os furinhos para colocar naquela pastinha com vários plásticos com furinhos (não sei como se chama aquela pasta; eu usava na infância pra colocar papel de carta) e embalei a credencial. Tomara que minha credencial resista aos 5 anos.

Como a validade é a mesma da carteira de motorista, a atendente verificou que eu iria renovar minha carteira pela primeira vez daqui a alguns meses. Daí ela me disse que seria bobagem eu pagar pela credencial e daqui a pouco ter que pagar de novo por ela. Logo, era mais inteligente eu já renovar a CNH. 
Por ser deficiente, não posso fazer a renovação nas clínicas, como todo mundo. Tem que ser feita pelo médico do DETRAN, para ele verificar se a deficiência melhorou ou piorou, se ainda dá pra dirigir, se tem que mudar alguma adaptação, etc. Por sorte, a médica era super gente boa e se lembrou de mim de quando tirei a carteira. (Não perguntei, mas se ela me recebeu tão bem e lembrou de mim, espero que tenhamos nos encontrado da vez em que eu passei na prova de direção.) Ela só me perguntou se estava tudo bem, se as adaptações estavam boas e em seguida foi fazer meu exame de vista. Na hora que fui ler as letrinhas projetadas na parede, oops, tive dificuldade para ler as 3 últimas. Sabe quando uma pessoa nem se toca que era bom checar o grau do óculos antes do exame para renovação da CNH!? Sorte que ela foi gente boa de novo e me perguntou quando eu tinha revisto o grau do meu óculos. Quando me toquei e respondi que não tinha ido no ano passado, eu até senti vergonha de mim mesma por não tê-lo feito. Mas, por sorte, ela relevou, pois li a maioria das letras.

Fiquei esperando a CNH chegar em casa e nada! Daí um dia me ligam de lá pra dizer que a minha assinatura não batia com a assinatura da cópia da identidade que deixei lá. O pior é que assinei igual à habilitação que ainda vale! Tive que ir lá levar a cópia de outra identidade, com a assinatura "atualizada", pois a que entreguei eu tinha assinado meu nome por extenso, que era a minha primeira identidade.
Estou no aguardo novamente. Espero que chegue logo a nova CNH.

terça-feira, novembro 27, 2012

GARÇONS PRESTATIVOS

Ontem fui no lançamento do livro de um colega da UnB. Fazia um tempão que não nos víamos presencialmente; pelo menos nessas horas e-mail e Facebook encurtam as distâncias. O evento foi ótimo, e ele estava super feliz. Vale destacar que, como eu estava sozinha, enquanto estava lá, li boa parte do livro, o qual gostei bastante. 
Bem, mas este post é pra falar um pouco sobre bom atendimento, sensibilidade e independência.

As pessoas sabem que sou uma pessoa "metida a independente". Em muitas situações sou independente, apesar da minha deficiência, e mesmo no que não sou, eu tento ser, ou pelo menos finjo ser.
O lançamento foi no restaurante Carpe Diem e não ia perder a oportunidade para comer algo lá. Resolvi comer kafta, mas a de lá não era no espeto, era envolta por uma massa fininha como de crepe. A porção vinha com 2, mais batatas fritas e o molho de hortelã. 
Quando chegou o prato, eu olhei pra kafta e pensei: "E agora, como vou comer isso?" E não era pela quantidade... (A quantidade se resolve de maneira bem simples: embalagem pra viagem!)

Pra quem não sabe ou nunca se tocou, eu tenho pouca força nos braços, o que implica que eu tenho dificuldade para partir alimentos. Se algo está bem cozido, eu parto sem problemas, mas se é algo um pouquinho mais consistente... 
Como isso se aplica em vários momentos da minha vida, a solução mais prática, pra não depender dos outros, é comer usando guardanapo. Pizza costumo comer desta forma. Só se eu tiver numa pizzaria ou numa festa, com todo o tempo do mundo, daí eu peço pra alguém partir. Mas confesso que eu acho um saco ficar pedindo pros outros, embora eu saiba que devo rever esse hábito.

Voltando ao kafta, eu olhei pra ele, olhei pro guardanapo e olhei pra ele de novo. Peguei o guardanapo e o usei para colocá-lo no meu prato. mas mesmo assim fiquei pensando: "Come-lo-ei com guardanapo? Estou num restaurante mais fino, todo mundo vai estranhar." Enquanto eu pensava em dizer mentalmente a mim mesma "f...-se, vou comer assim mesmo", na mesma hora veio um garçom se oferecer para partir pra mim, o que aceitei gentilmente.
Mas alguns pedaços ficaram grandes para mim (considerando minha boa pequena) e lá fui eu partir mais alguns. Num primeiro momento, consegui partir alguns poucos. Quando me preparei para partir de novo, eis que surge no nada outro garçom, me indagando se os pedaços ainda estavam grandes se oferecendo para partir mais. Como depois que se partiu tudo em pedaços bem menores, o prato já ficou cheio (e ainda tinha outro kafta), ele me gentilmente me sugeriu que, caso eu quisesse, poderia-se embalar o outro para viagem. Eu disse que certamente usaria desse serviço, só iria esperar mais um pouco pra ver se eu comeria um pouco de batata frita, a qual no fim das contas eu mal provei, por falta de espaço estomacal.

No fim deu tudo certo: comi um kafta; o outro mais a batata frita foram embalados pra viagem e fui embora satisfeita. Vale destacar o excelente atendimento dos garçons, altamente prestativos, sem mesmo eu ter solicitado. Estão de parabéns e o local merece minha vista mais vezes.

segunda-feira, setembro 17, 2012

ACESSIBILIDADE, TRIBO DE JAH E O SUMIÇO DO CARRO

Finalmente estou de volta ao blog!!! eeeeeeeeee \o/

Agradeço a todos pela paciência e por aqueles que puxaram a minha orelha, me cobrando novos vôos desta borboleta que vos fala. Esta borboleta vem voando em alta velocidade, faltando tempo para se dedicar a este humilde espaço pessoal. Nas próximas semanas procurarei, na medida do possível, preencher as lacunas dos meses passados. 

Este post é pra falar sobre um evento excelente que ocorreu no TCU na semana passada: Controle das Políticas Públicas de Acessibilidade. Mais informações sobre o que aconteceu no link http://www.tcu.gov.br/acessibilidade
Pra quem me conhece, eu não poderia ficar fora dessa. Infelizmente por questões profissionais, só estive na parte da tarde, mas valeu super a pena. Além da oportunidade de me atualizar com o que está ocorrendo Brasil afora relacionado a este assunto, conheci pessoas interessantíssimas, fiz contatos importantes, me diverti e aprendi muito. 
Destaco a exposição Além dos Sentidos, aberta até dia 28 deste mês. Nela estão expostos trabalhos de pintura e escultura de artistas locais, todos deficientes, e da artista Cristina Portella, que produz quadros táteis, acessíveis para deficientes visuais, com relevos e texturas diferenciados. è divertido até para quem não é deficiente, fugir da regra do "Não toque" de todas as exposições. 

Mas este post é sobre as curiosidades deste evento, senão este post não teria graça. Primeiramente, o que me fez ganhar o dia, o mês e quiçá o ano, foi conhecer ao vivo a Lêda Spelta e o Horácio Soares, pioneiros em acessibilidade digital no Brasil, dos quais posso dizer que sou "fã", uma vez que boa parte do conhecimento inicial que possuo nessa área foi graças a leitura de textos e artigos escritos por eles. No fim da palestra, mesmo sendo interrompida quinhentas vezes, consegui conversar com o Horácio (nem tentei conversar com a Lêda, pois o assédio era maior) e trocar algumas ideias com ele, expondo resumidamente minhas pesquisas na área, as quais fiquei muito feliz por ele ter se interessado. Ele também foi responsável por fazer a ponte entre eu e a Fernanda Lobato, da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação - SLTI, do Ministério de Planejamento, onde são definidas as estratégias de implementação da acessibilidade digital nos órgãos públicos.
No fim do primeiro dia do evento, ocorreu um coquetel no restaurante do TCU, onde, além de ter sido super bem servida, tive a oportunidade conversar com diversas pessoas interessantes. O coquetel foi regado a música e poesia. No encerramento, show da bando Tribo de Jah. Muita gente foi embora antes do show começar, mas valeu a pena ficar, pois foi super animado e divertido. O Procurador do TCU Sergio Caribé, quem foi responsável pela organização do evento e é cadeirante, estava todo animado durante o show, ao contrário da imagem que temos de que quem tem alto cargo é sisudo e, muitas vezes, até chato. O show durou 1h15 e só não durou mais porque não permitiram. 
O caminho do local do evento ao restaurante era longo, e era necessário passar por um grande túnel/passarela de vidro. Meu carro estava estacionado próximo ao elevador mais próximo ao evento; logo, ao fim do show, tive que pe4rcorrer todo o caminho de volta ao meu carro. Não sei se saí meio apressada, mas quando voltei, o caminho estava todo escuro. Eu fui me guinado pelas luzes dos postes da rua, que eram visíveis por causa do vidro. Era um breu total! Quando saí do túnel, continuou não tendo vivalma e luz somente nos halls de elevadores. Cheguei até o elevador o qual deveria usar para descer à garagem no subsolo, mas daí não sabia qual andar estava meu carro! Tentei o S1, mas só haviam salas lá; logo, fui para o S2. Saí do elevador, comecei a procurar meu carro e... cadê meu carro? E olha que eu não estava bêbada, pois só bebi água e suco, nem com sono, nem noiada, apesar do show ter sido de reggae. Havia um carro no estacionamento, em que vi entrar um cadeirante, e depois estavam 2 rapazes desmontando a cadeira para colocá-la no bagageiro. Tive que ir lá, na maior cara de pau, dizer: "Olha, eu nunca vim aqui no TCU e eu entrei nesse estacionamento vindo pleo caminho tal, e quando parei o carro a portaria estava aqui a esquerda. Mas meu carro não está aqui!" Daí fizeram mais algumas perguntas para entender melhor a situação e daí ouvi a pessoa de dentro do carro me pedir pra entrar no carro pois daríamos uma volta para localizar o carro. Quando entro, para minha surpresa, de quem era o carro? Do Procurador Caribé! E o mais comédia foi onde estava o carro. Bastou dar uma voltinha e o localizamos. Como? bem, quando saí do elevador, havia saída pros dois lados. Não prestei atenção, e fui pro lado contrário de onde meu carro estava. Bastou dar a volta e lá estava o carro! kkkk Eu agradeci muito, num misto de alegria e vergonha.
No dia seguinte, enquanto conversava com o Horário, ele foi chamado pra tirar foto com o Procurador. Ele foi lá, e depois o fotógrafo me chamou para tirar foto com eles. Ao me posicionar junto ao Procurador, ele me sotou a seguinte piadinha: "Não vai perder seu carro hoje de novo, hein?!" Eu respondi, rindo, que naquele dia eu já sabia das 2 saídas. kkkk

quarta-feira, novembro 16, 2011

I SALÃO DA ACESSIBILIDADE

Ontem e anteontem estive no I Salão de Acessibilidade, que até onde eu sei, foi o primeiro evento deste tipo aqui em Brasília. Foi uma oportunidade maravilhosa de conhecer diversas novidades trazidas por empresas de outros estados que trabalham em prol da acessibilidade.
No primeiro dia fui pra trabalhar, pois o Movimento de Doenças Raras conseguiu um estande lá. Assim pudemos divulgar no evento o trabalho não só do Movimento DR, mas também da associação e da EB. O movimento na feira foi meio fraco nesse dia, pois apesar do dia imprensado, sabemos que muita gente estava trabalhando.
Foi interessante observar que muitas associações ligadas a doenças estavam lá, e que têm investido bastante no artesanato como forma de inclusão.
No segundo dia, fui para me divertir, conhecer tudo que a feira tinha para oferecer. Tive a companhia de uma deficiente visual, que até fez umas comprinhas em um estande só com produtos para deficientes visuais.
O que mais aproveitei foram os estandes relativos a adaptações de carros. É um mercado ainda muito pequeno aqui em Brasilia, o que dificulta quando precisamos modificar algo no carro. Troquei idéias, peguei cartões e vi as novidades. Pena que muita coisa ainda é cara, mas já é possível que pessoas, mesmo com limitações muito graves, possam dirigir sem problemas.
Algo que foi muito prático para mim foi a presença de um grupo de concessionárias que levou vendedores de cada uma das marcas do grupo. Assim pude fazer orçamentos, de maneira super rápida, de carros novos de 4 marcas diferentes, comparando preços e vendo nos modelos expostos as necessidades de adaptações. Só não fechei negócio pois ainda tem outras 2 marcas que quero avaliar os carros. Também experimentei a direção elétrica, que é muuuuiiito mais leve que a hidráulica para as manobras (que é a minha maior dificuldade, pois tenho menos força que as demais pessoas). Um item a considerar na compr de um novo carro.
Para fechar cm chave de ouro, fizemos uma Trilha Sensorial, que era uma amostra grátis da trilha em tamanho maior existente no Jardim Botânico. Nela entra-se com os olhos vendados e você é conduzido por um mundo de texturas e cheiros, usando os demais sentidos que não a visão para conhecer plantas do cerrado. O deficiente que me acompanhava, por ter baixa visão, não usou a venda, até mesmo para descobrir o que ele conseguia ver do que lhe era mostrado. Para nós dois foi uma experiência única, cada um à sua maneira: para mim, tentar adivinhar o que me era apresentado somente pelos cheiros; e para ele, poder "ver com as mãos" sem ser repreendido. Já deixamos combinado de ir algum dia no Jardim Botânico para passearmos na Trilha de lá.
Em resumo, valeu super a pena a feira. Embora a feira não tenha sido muito grande, trouxe muitas novidades. Torço para que ela continue a ocorrer nos próximos anos.

segunda-feira, outubro 17, 2011

FINS DE SEMANA ESPETACULOSOS

Nos últimos dia 07 e 15 me apresentei no Espetáculo Danças do Mundo - Inclusão para Todos. Já que o título falava de inclusão, mesmo que não fosse a ideia original, associei inclusão com deficiência e pensei que deveria mostrar meus talentos, de forma que "sim, a inclusão é possível na dança".
Foi uma experiência muito boa de mostrar pra mais gente minha arte e conhecer pessoas muito bacanas da dança. me impressionei com a calmaria nos bastidores do dia 07, em que pude me arrumar tranquilamente, sem nenhuma mulher estérica nos camarins, e ainda bater papo e rir muuuuuito. No dia 15 foi mais agitado, pois haviam vários grupos de criancinhas e adolescentes, estão estava mais abarrotado, eu meio que disputando espaço pra conseguir um cantinho pra me trocar e depois me sentar pra esperar minha hora. Mas no fim deu tudo certo. 
No dia 07 tive como plateia conhecida apenas família. No dia 15 contei com a presença de uma amiga super querida da época de colégio, que tive o prazer de nos reencontrarmos no feriado. Às vezes dá uma sensação meio de tristeza pois tanta gente é convidada e poucos acabam indo, mas enfim, todos que foram eram pessoas suuuuper queridas.
Também foi a estreia do meu nome artístico: Parvaneh Avivit. O que significa? Nada mais nada menos que o nome deste blog.

Este fim de semana também foi de estudos, de aprimoramento dos meus conhecimentos de dança. No dia 15, antes do espetáculo, participei de um curso de presença cênica, que com certeza contribui com o desempenho no palco, pois acredito que quando dançamos não somos nós mesmos, mas uma personagem. 
No dia seguinte, foi a vez de um curso de snujs, instrumento usado na dança do ventre. O mais curioso desse curso foi que foi ministrado por um percussionista que já virou meu amigo e que, quando anunciou o curso, eu fiz o comentário de quem dera eu conseguisse tocar, mas nunca conseguiria, pois os snujs são pequenos pratinhos que são presos aos dedos (usa-se 2 em cada mão). Poucos dias depois, a esposa dele se manifestou dizendo que isso de eu não conseguir não existia e que para provar isso estavam me dando a cortesia do curso para que eu fosse lá pôr isso à prova. Considerando o fato de eu usar um snuj em cada não, deu super certo no fim das contas. Agora tenho que comprar um par pra praticar em casa...

terça-feira, setembro 27, 2011

DIA (OU SEMANA) DE LUTA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

Dia 21 de setembro é o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Neste ano, o Ministério do Planejamento e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em comemoração, organizaram o evento Acessibilidade Digital - um direito de todos, que foi realizado na ESAF. Foi um dia de palestras sobre acessibilidade.
Dois dos objetivos do evento eram apresentar a nova versão do e-MAG (Modelo de Acessibilidade de Governo Eletrônico), a 3.0, e o lançamento do portal www.pessoacomdeficiencia.gov.br Mas foi também um dia de palestras muito interessantes sobre acessibilidade e sobre os erros mais comuns em sites no que tange este assunto. Além disso, conheci pessoas muito legais.
Algo que me entristece nesses eventos é a simultaneidade de palestras. Portanto, deixei de assistir palestras das quais gostaria de participar e deixei de estar na palestra de um conhecido meu. Bem, pelo menos o encontrei antes do início do evento e conversamos um pouco.
Tomara que o governo promova mais eventos como esses, quem sabe uma vez por ano, para ver se assim incentiva os órgãos públicos a tornarem seus sites acessíveis.

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Minha semana de acessibilidade se encerrou no domingo, quando tive a alegria de ir ao último dia do Festival Assim Vivemos, que é um festival bienal de filmes sobre deficiência, que ocorre no CCBB. Lá os deficientes contam com legendas em todos os filmes, inclusive os nacionais (para os deficientes auditivos) e também possuem como opção o recurso de audiodescrição (para quem não sabe o que é, funciona como uma tradução simultânea, só que o audiodescritor tem a função de descrever as cenas do filme nos espaços "livres" entre as falas dos personagens).
Tive a oportunidade de assistir um filme chamado Além da Luz, que é um documentário que mostra a vida de vários cegos, suas dificuldades, suas lutas e suas alegrias, mas tudo de uma maneira bem otimista. Tive a oportunidade de aprender mais sobre as rotinas e dificuldades deles, e algumas soluções encontradas para se inserirem na sociedade. Foi uma ótima maneira de encerrar meu fim de semana, ainda mais que eu estava em muito boa companhia.

segunda-feira, agosto 22, 2011

ACESSIBILIDADE? CADÊ?

Um texto que relata um pouquinho das dificuldades em termos acessibilidade de verdade. Aparentemente não interessa ao governo.


Cadê os outros 75% que deveriam ter sido investidos em acessibilidade?!?

domingo, agosto 14, 2011

PAIS FAMOSOS COM FILHOS DEFICIENTES

Um fato muito curioso que observei hoje assistindo programas dominicais fazendo homenagens de Dia dos Pais: a presença de 2 filhos deficientes na televisão, sendo seus pais conhecidos do público em geral.
Um fato muito importante pode ser observado a partir disso. Apesar de todas as adversidades, o preconceito está diminuindo e a aceitação aumentando por parte da população, a ponto dos famosos não se importarem em trazer a público que "sim, eu possuo um filho deficiente, e aí?". Esses pais são exemplos no quesito amor, ao aceitarem e tratarem com todo carinho seus filhos, ao contrário de muitos que não aceitam o filho que possui uma deficiência ou doença crônica e, ou escondem o filho, ou fingem que o filho não tem nada, negligenciando-o inclusive de tratamentos que poderiam melhorá-lo, ou se separam, para terem o mínimo de contato possível com o filho.

sexta-feira, julho 29, 2011

GENIALIDADE PRECOCE


Na terça passada fui mais uma vez ao Mittelalter ver uma amiga minha dançar. A apresentação foi bacana como sempre, pois na minha humilde opinião, ela dança muito bem. Mas o motivo deste post é contar sobre uma garotinha de 6 anos que conheci e que, por incrível que pareça, foi o ponto alto da noite.
Por ser terça, o local estava relativamente vazio e escolhi uma mesa que ficada num ângulo bom para assistir às danças. Nela estava ocasionalmente sentada a menininha sozinha, estrategicamente perto dos músicos pra poder brincar com os instrumentos musicais antes da apresentação. Como lá as mesas são grandes e “coletivas”, ou seja, você senta onde tem vaga e provavelmente na sua mesa sentarão pessoas as quais não conhece (a não ser que esteja em um grupo de umas 10 pessoas no mínimo), eu sentei na mesa onde estava a menininha.
Enquanto esperava algumas chegarem (que num primeiro momento eu nem tinha certeza se iriam mesmo), a menininha começou a puxar papo. Ao me ver e ver minhas habilidades ao usar o cel pra mandar mensagens, ela tirou diversas conclusões e foi me fazendo uma série de perguntas sobre “como é viver sem dedos”. (Como ela mesma já deduziu que eu não tinha dedos e eu não achava que a conversa iria se alongar tanto, não expliquei pra ela o que aconteceu de verdade com meus dedos, mas enfim)
Separei algumas das melhores perguntas dela, as quais eram tão instigantes que algumas eu nem soube num primeiro momento como responder. Impressionante a complexidade das perguntas para uma criança de apenas 6 anos.
  • Você gostaria de ter dedos?
  • Que coisas você não consegue fazer sem os dedos?
  • Você consegue dirigir? (E, depois de eu responder que sim e explicar como) Mas não dá pra andar de moto, né? Nem de bicicleta. 
  • Seus pais estranharam muito quando você nasceu?
Pense numa garota precoce e que adoooora conversar com qualquer pessoa e sempre tem assunto! Como ela ficou muito tempo na minha mesa, tanto o pai quanto a mãe, em momentos distintos, foram lá me perguntar se ela estava perturbando. Eu disse que não, que ela estava sendo uma ótima companhia enquanto esperava minhas amigas chegarem e as apresentações começarem. O próprio pai me perguntou: “Você tem certeza que ela não está incomodando? Pois se deixar ela vai longe...”

Conversamos sobre a escola dela, sobre ela gostar de viajar, sobre pessoas sem mãos que ela já viu na TV, incluindo outro comentário impressionante: “Mas elas são diferentes de você, pois elas não tem as mãos e você só não tem os dedos.” Já é complexo para muitas pessoas adultas diferenciarem isso, imagina para alguém de tão tenra idade!

Apesar da perguntação, foi uma conversa super agradável, e eu tava curiosa para ver até onde a curiosidade dela iria. Tadinha, ela ficou tão triste e deslocada quando minhas amigas chegaram e a mãe foi lá mandar ela voltar pra mesa da família. Depois ela até foi lá algumas vezes, me perguntar mais alguma coisa e conversar com minha amiga dançarina, quando sentou conosco em um intervalo.

Torço para que, daqui a alguns anos, ela siga alguma profissão em que ela possa usar bastante esse dom investigativo!

sexta-feira, maio 13, 2011

ABUSOS EM VAGAS PARA DEFICIENTE

Na quarta passada foi exibida reportagem no DFTV sobre contêineres em vagas de deficiente e de idoso nas entrequadras do Plano. Isso ilustra um pouquinho do que nós deficientes físicos passamos no dia-a-dia para tertarmos estacionar e assim frequentar o comércio.


Isso me lembra um e-mail que uma amiga me mandou há poucos dias, que consiste em um vídeo feito em Curitiba, com o objetivo de conscientizar motoristas a não usarem vagas de deficiente com a desculpa esfarrapada de que "vou ali só um minutinho e já volto". Sou completamente a favor do video e acho que deveriam fazer a mesma campanha em várias capitais, incluindo a nossa capital do país. Algumas vezes já dei puxão de orelha verbamente em gente que pára nas vagas de deficiente do prédio onde eu trab, me atrapalhando a estacionar, só porque está lá "esperando por alguém por um minutinho".
E olha que Curitiba é uma das capitais "mais civilizadas" do país. Imgina a situação no resto do país.



quarta-feira, abril 27, 2011

A LIGA - DEFICIENTES

O tema do programa A Liga, exibido na Band na terça passada, foi a vida de pessoas com deficiência, abordando tanto os exemplos de superação, em especial por meio do esporte e das artes plásticas, como as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia por nós. Além disso tratou de algo inédito para mim: os depoimentos do amor das esposas dos deficientes e dos preconceitos que sofreram por insistirem em seus relacionamentos.
Os mais legal foi ver os apresentadores encarando vivências de como ser deficiente. Um dos apresentadores passou 6h andando numa cadeira de rodas acompanhado de um cadeirante, que foi lhe ensinar os macetes do manejo da cadeira de rodas. Outra foi mais radical: passou 24h com tampões nos olhos, vivendo como uma deficiente visual, que precisou andar pelas ruas de São Paulo, pegar ônibus, comer e até mesmo tentar cozinhar na sua própria cozinha de casa.
Foi um programa super enriquecedor para mim que desejo compartilhar com vocês leitores.
Os links para as 6 partes do programa seguem abaixo. Divirtam-se, aprendam, se emocionem e divulguem aos amigos.






quarta-feira, março 23, 2011

BRASIL 21 - CADÊ AS VAGAS PARA DEFICIENTES???

Semana passada fui ao Centro Empresarial Brasil 21, localizado no Setor Hoteleiro Sul, em frente a Torre de TV. Chegando lá, tentei parar o carro no estacionamento externo, gratuito. Ao perguntar a um flanelinha onde haviam vagas para deficiente, a surpresa: simplesmente não existe nenhuma! Revoltante, né?
Por sorte, o Santo Vagueiro me ajudou e achei uma vaga desocupada. Mas como o local onde eu queria ir era quase em frente ao Posto da Torre e o estacionamento era do outro lado do Brasil 21, tive que atravessar todos os prédios por dentro pra chegar onde eu queria. Totalmente inacessível!!!
Cadê o Detran que não demarcou vagas para deficientes ali?!



terça-feira, março 15, 2011

UMA ESCOLA DE SAMBA ONDE, QUEM SABE UM DIA, EU POSSA DESFILAR

No blog Arquitetura Acessível conheci uma escola de samba muito especial, que abriu o desfile das campeãs no RJ: a Embaixadores da Alegria, uma escola composta por PNEs, seus familiares e profissioanis de saúde que trabalham com PNEs. Com certeza acaba sendo uma forma de inclusão social e de motivação para essas pessoas. 

Aqui está o post no Arquitetura Acessível:  

O blog dos Embaixadores da Alegria é: 

Vejam nas fotos que coisa linda, o sol como tema...
Se um dia eu passar carnaval no Rio eu vou desfilar nessa escola. Deve ser muito legal!

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

FELIZ DIA DAS DOENÇAS RARAS

Hoje se comemora o Dia Mundial das Doenças Raras, que foi criado em 2008. Ele é celebrado no último dia de fevereiro (nos anos bissextos é celebrado dia 29 de fevereiro, por ser um dia "raro").

Parabéns a todos nós que temos doenças raras, em especial para nós que somos deficientes por causa de alguma delas. A luta diária continua. Torço para que um dia sejamos vistos pelas autoridades e pela população em geral, obtendo deles o respeito e os direitos devidos.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

RELÓGIO NOVO - A SAGA

Durante minha internação em janeiro, meu relógio parou. Ele deu o que tinha que dar: foi presente da minha tia querida que mora na Alemanha, que ganhei quando tinha 15 anos. Ou seja, ele trabalhou bastante...
Inicialmente fiquei meio apavorada, pois desde que me entendo por gente uso relógio, mas como estava num momento em que precisava relaxar, achei que poderia ficar um pouco sem a pressão do tempo.
Mas ao voltar ao dia-a-dia, ele se faz necessário, pois infelizmente o tempo nos domina. Passei diversos ias usando o relógio do celular, mas tinha horas que eu queria ver as horas, por ex. dirigindo, e não podia. Logo achei que deveria procurar um relógio novo.
Eu criei alguns critérios que meu relógio novo deveria conter:
  1. Ter visor pequeno: considerando que meu bracinho é quase tão grosso quanto um palito de dente, um visor médio já é suficiente para ficar mais largo que meu braço.
  2. Ter todos os números: pra mim até hoje não é imediato ler as horas em relógio de ponteiro; portanto, relógios faltando números ou só com os pauzinhos nos lugares dos números, nem pensar!
  3. Ter ponteiro os segundos: para se ter certeza de que ele está funcionando.
  4. Ser fácil de colocar e retirar: um fecho fácil de se mausear é importantíssimo, por motivos óbvios.
Daí começou a saga...
Primeiramente descobri que a "moda" agora em relógios femininos são relógios com poucos números. Tava difícil achar um que tivesse os números todos. A certa altura comecei a aceitar ter um relógio só com os números pares e pauzinhos nos lugares dos ímpares. Mas mesmo assim tava difícil. Quando achava algo que me agradava ou ficava largo no meu braço ou não tinha os segundos. Assim que comecei a achar modelos que me agradavam, não conseguia usar os fechos... Afff... tava difícil!
Rodei o Park Shopping inteiro e nada! Saí decepcionada, achando que não iria encontrar nada que me agradasse e que eu pudesse usar sem problemas. Nunca tinha pensado que as minhas atrofias atrapalhariam tanto essa compra.

Alguns dias depois, fui ao Brasília Shopping comprar meu ingresso pro show da Shakira. Como estava com um tempo sobrando, resolvi recomeçar a procura. Fui a mais algumas lojas e nada! Em uma, fui até com a vendedora no relojoeiro pra ver se era possível afrouxar ou trocar o fecho de um relógio, mas segundo ele não era possível. Tudo indicava que seria mais uma decepção...
Quando estava indo embora, passei em frente a Mormaii e por acaso vi uma estante com diversos relógios. Resolvi dar uma paradinha e tive 2 grandes surpresas.
A primeira foi ser atendida pelo filho de uma ex-colega de trab da minha mãe, que conheci pequenininho e não via a diversos anos. Ele disse ter me visto entrar na loja e pediu a vendedora que deveria me atender para ele me atender, pois precisava falar comigo.
A segunda foi achar um relógio que atendesse meus critérios, e ainda ter borboletas e detalhes roxos! eeeeeeeeeeee
Claro que aproveitei para trocar contatos. Espero que não demoremos muito para nos reencontrarmos. Foi bom que o ajudei a cumprir com as metas de vendas dele e fui super bem atendida.


Visão mais geral do relógio, mostrando os detalhes de borboleta da pulseira

Olha que lindo no meu pulso!

Confesso que gostei tanto do relógio que estou pensando em comprar outro pra guardar...

quinta-feira, novembro 04, 2010

MAIS UMA PALESTRA SOBRE ACESSIBILIDADE

Recebi um convite super relâmpago na semana passada para fazer uma palestra sobre acessibilidade, que foi realizada ontem. Esta foi uma palestra para um grupo fechado: coordenadores dos pólos do DF Digital.
Embora eu tenha tratado um pouco de aspectos técnicos sobre acessibilidade de sites (já abordados em palestras anteriores), desta vez eu tinha um público de não-profissionais da informática. Portanto, foi uma palestra bem simples, focado em conceitos básicos.
O principal que martelei na cabeça deles foi que deficiente visual não é sinônimo de cego, assim como deficiente auditivo não é sinônimo de surdo. Se eles conseguiram sair de lá com essa ideia em mente, já me dou por satisfeita, pois consegui pelo menos conscientizá-los de conceitos importantes e desconhecidos de quem não tem convivência com PNEs.
Surgiram perguntas muito interessantes, por ex. se existe ex-deficiente. A resposta: claro que existe! Não são muitos, certamente, mas a medicina tem avançado tanto que é possível uma pessoa recuperar o que perdeu a ponto de deixar de ser legalmente um deficiente.
Também aprendi com eles enquanto esperava a hora da minha palestra, pois fiquei no auditório ouvindo outras discussões que ocorriam. Foi interessante ouvir sobre as realidades de alguns pólos e as dificuldades que enfrentam para levar cursos gratuitos à população.
Foi uma experiência produtiva. Acho que a maioria dos que assistiram gostaram do que apresentei. Já recebi até o feedback por meio de quem me convidou para fazer a palestra de que sugeriram que eu fosse aos pólos para palestrar aos monitores dos cursos. Tomara que a sugestão seja acatada e possa ser implementada. Acho que seria uma experiência muito rica para todos nós.

quarta-feira, agosto 18, 2010

VOCÊ ESTACIONA SOBRE A CALÇADA?

Recebi um vídeo muito interessante por e-mail, que mostra a consequencia de se estacionar um carro sobre uma calçada (ou em uma vaga para deficiente).
Tentei adicioná-lo a postagem, mas por algum motivo o video não abriu e não consegui que o Firefox instalasse o plugin apropriado. Logo, terei que fazer uma descrição dele.
O vídeo mostra um rapaz cadeirante que não possui pernas andando pela rua quando de repente há um carro parado bem em cima da calçada por onde ele deveria passar. Ele se levanta da cadeira, apoiando no carro e na parede, com muita dificuldade, obviamente, e se posiciona sob o capô do carro. Fecha a cadeira de rodas, passa-a em frente ao carro, abre-a do outro lado e continua seu caminho. Ou seja, ele teve um trabalhão danado para continuar seu caminho por causa de um motorista que não respeita os outros. E se fosse alguém que não conseguisse sair de sua cadeira

Por isso que eu me revolto mesmo quando não posso estacionar em uma vaga para deficiente porque um folgado com preguiça de parar o caro longe a ocupou.

quarta-feira, junho 23, 2010

PALESTRA SOBRE ACESSIBILIDADE - MINHAS IMPRESSÕES

Não foi porque eu ministrei a palestra, mas tenho que dizer que foi um sucesso! O encontro, que era para ser algo rápido, com duração de 1h aproximadamente, acabou rendendo quase 2h. Se somar às conversas posteriores com diversas pessoas, foram umas 2h30.
Tive a sorte de palestrar em companhia do Daniel, coordenador do DFJUG, que possui uma vasta experiência com deficientes, em especial auditivos. Logo, ele fez uma inrodução maravilhosa e sempre tinha ótimos pitacos para dar na minha palestra, trazendo informações complementares muito úteis.


O público não foi grande, mas bem seleto. Eram pessoas realmente interessadas no assunto, ou porque já pesquisavam sobre ele ou que precisavam entendê-lo por motivos profissionais, por ex. Tive a alegria de contar com a presença de 2 amigas, uma delas a responsável pelas fotos, nas quais não fiquei linda, afinal não estava posando para elas; foram expontâneas.


Aqui trago para vocês um resumão do que falei e que não consta escrito na apresentação. (Aos interessados em ter a apresentação, basta entrar em contato que eu envio por e-mail.) O vídeo exibido na apresentação pode ser baixado em diversos formatos no site http://acessodigital.net/video.html

As historinhas práticas contadas por mim e pelo Daniel foram muito úteis para passar a realidade dos deficientes visuais e da acessibilidade foram muito boas, mas não cabem aqui, senão o post iria ficar gigantesco.

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Deficiente visual não é sinônimo de cego!

Os deficientes visuais podem ser divididos em 2 grandes grupos:

Deficiente visual parcial (visão subnormal ou com baixa visão): Pessoas que possuem dificuldade de enxergar que não pode ser corrigida por lentes ou cirurgias. Normalmente conseguem ler textos em fonte ampliada (em geral tamanho 24) ou com ajuda de lupas. A visão é suficiente para, por ex., se desviar de obstáculos.

Deficiente visual total (ou cego): Aquele que possui uma visão muito limitada. Em geral conseguem apenas distinguir a presença ou ausência de luz ou ver silhuetas. É muito raro uma pessoa que não possua nenhum resquício de visão, por menor que seja.

Há ainda o daltônicos, que legalmente não são deficientes visuais, mas são tratados como tal quando falamos de acessibilidade de sites, por ser uma doença que altera a percepção das cores. Existem três tipos de daltonismo, sendo que o tipo mais comum é aquele em que o indivíduo não enxerga as cores verdes e vermelhas (e cores derivadas, como o rosa). Os outros dois tipos são mais raros: em um deles não se enxerga a cor azul e no tipo mais grave não há a percepção de cores (ou seja, enxerga-se preto, branco e cinza apenas).


Por que considerar como grupo prioritário quando se trata de acessibilidade de sites o deficiente visual?

O deficiente visual, antes do surgimento do computador, da internet e das tecnologias assistivas, possuía um acesso muito limitado a informação e cultura. A ele não é possível ler um jornal, uma revista ou um livro. A televisão só podia ser ouvida. Com poucas bibliotecas com livros em Braille disponíveis, a única fonte de informação possível era o rádio. Além disso, um deficiente visual possui dificuldade de deslocamento, o que dificulta a realização de compras.

Atualmente, usando um computador, o deficiente visual tem acesso em diversos sites a notícias e livros. Além disso, pode fazer compras sem sair de casa, podendo pesquisar soznho por informações sobre os produtos que deseja, sem depender das descrições de vendedores e familiares, necessárias quando se vai a uma loja física.


O grande oráculo cego da internet: o Google

Quem possui um site acessível também está facilitando sua localização pelo Google. Isso porque ele usa princípio semelhante ao leitor de tela para indexar os sites: ele procura por todo o texto disponível. Se um site é totalmente feito em flash, por ex., não haverá palavras para o Google indexar, nem para o leitor de tela ler.


Programas leitores de tela

Identificam o texto escrito na tela e o convertem para um sintetizador de voz, responsável por transformar o texto em voz. No Brasil, os deficientes visuais costumam usar os programas leitores de tela Jaws e Virtual Vision. Os dois leitores possuem funcionalidades semelhantes, logo a escolha entre usar um e outro vai mais do gosto de cada usuário, em geral motivado pelo programa que ele conheceu primeiro.

O Daniel (coordenador do DFJUG) citou que para o Linux, existe o leitor de tela Orca que já vem no CD de instalação do Ubuntu.


Validação automática da acessibilidade de um site

Para validação automática de sites brasileiros, utiliza-se em geral os 2 programas abaixo. Essa validação deve ser feita pelo programador do site, pois os resultados permitirão a correção de erros “grosseiros” de acessbilidade.

Da Silva – ferramenta web disponível no site www.dasilva.org.br em que basta digitar uma URL e é feita a validação

ASES – software público voltado para os desenvolvedores, permitindo a validação de diversas páginas simultaneamente diretamente pelos códigos-fonte; possui ferramentas interessantes, como simulador de daltonismo. O Daniel inclusive fez o convite para que os desenvolvedores possam contribuir melhorando o código ou adicionando novas funcionalidades.

Foi apresentada uma tela do Da Silva com a validação de um site governamental, o qal teve um resultado muito interessante para análise. Este site possui o selo de acessibilidade AAA (ou riplo A), atendendo todos os níveis de prioridade definidos na WCAG e no eMAG. Na validação automática constatou-se que o site não possui erros de acessibilidade que possam ser verificados automaticamente. Entretanto, possuía um exagerado número de avisos (pontos que não podem ser verificados automaticamente): mais de 500 na prioridade 1 e mais de 200 em cada uma das prioridades 2 e 3. Conclui-se, portanto, que os programadores se preocuparam apenas em eliminar os erros, conseguir o selo de acessibilidade e estar dentro da lei. Um site que possui quase 1000 itens que precisam ser verificados manualmente muito provavelmente não está acessível.


Exemplos de não-acessibilidade

Foi mostrado que muitas vezes correções simples, que podem ser facilmente incorporadas às boas práticas de programação, aumentam a acessibilidade de um site. Entretanto, há ainda alguns desafios, como lidar com teclados virtuais de bancos e CAPTCHAS (aqueles caracteres distorcidos que aparecem em figuras para lermos digitarmos). Existem soluções menos tradicionais para esses tipos mais complexos de não-acessibilidade, mas que não são considerados pela maioria dos sites.