domingo, setembro 26, 2010

SENTIMENTOS DESTRUIDORES: FALSIDADE E FALTA DE RESPEITO

Este ano, em especial os últimos meses, tem sido de muitas descobertas para mim. Aprendi o quanto a vida é efêmera, logo deve ser aproveitada ao máximo, não deixando para fazer as coisas “amanhã”. Aprendi também que boa parte dos problemas tem origem emocional, em especial questões de saúde. Aprendi que devo tentar ser feliz agora e que minha felicidade só depende de mim e das escolhas que faço, e não deve depender das pessoas que me cercam. Mas principalmente, aprendi a ter amor próprio e auto-estima.
Neste processo, passei a refletir mais sobre minha vida e as coisas que me afligem ou já me afligiram. Aprendi a olhar para essas coisas com distanciamento suficiente para que eu as compreenda na íntegra, como verdadeiramente são.

Foi assim que finamente percebi o quanto me foi valioso, a 2 anos atrás, terminar um relacionamento de quase 5 anos. Os 3 primeiros anos, talvez 3 anos e meio, foram muito proveitosos: aprendi muitas coisas e crescíamos juntos enquanto pessoas. Mas isso mudou. No último 1 ano e meio, aquele que dizia me amar simplesmente estagnou. Ou posso dizer que regrediu, pois do meu ponto de vista, eu continuava crescendo e ele “regredindo”. Foram anos em que ficou evidente que, já que eu já havia sido conquistada, ele não precisava se esforçar mais para parecer alguém melhor. Daí começou a falsidade e falta de respeito. Não havia respeito por minhas opiniões, sentimentos e conhecimentos. Não havia nenhum estímulo para que eu usasse minhas habilidades e qualidades, para que eu mostrasse meu valor. O único intuito era me manter de bom humor o suficiente para que eu correspondesse aos desejos sexuais dele.
Foi um ano e meio de inércia, humilhação, falta de respeito e sensibilidade. Tudo que eu dizia que não gostava, aí sim era feito. Tudo que dizia me magoava e me machucava. Que vida é essa, em que se escolhe viver com uma pessoa que só te traz sofrimento?
Para citar exemplos, ele nunca lia este blog. Ele nunca me disse: “que legal aquilo que escreveu sobre tal coisa”. Ou então me perguntava sobre coisas que lá estavam devidamente mencionadas, logo eu dizia: “você quer saber sobre isso, tá tudo lá no blog”. A resposta era sempre um sorriso amarelo. Tinha tempo para ver e me mandar e-mails com charges da internet e abobrinhas quaisquer, mas para ler meu blog “ele nunca tinha tempo”.
Meus conhecimentos de informática também eram completamente ignorados. Eu passei meses para convencê-lo a se livrar da carroça que ele tinha. Como não havia nenhum idiota disposto a ir com ele numa loja comprar, a idiota aqui foi na maior boa vontade. Depois passei meses convencendo-o a colocar senha no computador e depois a tirá-lo da pseudo-biblioteca que havia em sua casa, na qual a família inteira usava o computador e o enchia de vírus. Quando eu falava, ele não demostrava o menor entendimento da importância daqueles conselhos. Mas bastava qualquer zé mané se oferecer a fazê-lo, formatavam o computador dele e em geral eu perdia tudo que por acaso eu tivesse gravado somente lá.
Um último exemplo era o fato dele sempre fazer qualquer coisa que eu dissesse que eu não gostava. Se eu não gostava que ele sempre viesse com a ladainha dele sobre problemas no transporte público, ele fazia questão de incluir isso em todas as conversas que tinha com outras pessoas quando eu estava presente. Se eu dizia que não gostava que me chamasse para eventos de pouca significância durante a semana, pois além de gastar um horror de taxi indo e voltando, eu ficaria pouco tempo, por ter que levantar cedo para trabalhar, (mas ele poderia ir tranquilamente sozinho) aí que ele me chamava mesmo para todas as bobagens gratuitas que existissem, só para me deixar triste por não poder ir.

Nos últimos meses tentei ao máximo me distanciar. Primeiro porque haviam coisas mais importantes que me consumiam boa parte o tempo, e eu deveria estar bem emocionalmente para transpô-las. Além disso, já tinham coisas demais para me preocupar, que não precisavam ser pioradas pela tristeza que eu sentia ao estar ao lado dele, mas que na época eu não compreendia a causa. Eu sabia que havia algo de errado, eu sabia que não era feliz, mas não sabia explicar com a clareza de palavras que uso hoje.
E os 5 anos de relacionamento se aproximavam... Para mim, 5 anos de relacionamento era muito. Fazia-se necessário tomar um rumo: decidir se eu me casaria com ele ou se terminava tudo, já que continuar só consumiria tempo e não me levaria a lugar algum.Ao mesmo tempo em que tudo só piorava, eu me esforçava para tentar salvar o insalvável (será isso um neologismo?!). Eu tentava falar do que me incomodava, mas cada vez que eu o fazia era como se eu encenasse um monólogo, em que só eu falava e ele me olhava com cara de sonso, enquanto tudo que eu dizia entrava por um ouvido e saía pelo outro. Além disso, como me casar com uma pessoa inerte e irresponsável, que nunca tinha inicativa para comprar qualquer coisa que fosse e que não conseguia pagar uma conta sequer em dia? Casar pra ser babá de homem, para eu ter que assumir todas as responsabilidades da casa e além de tudo ser o brinquedinho sexual dele, que tinha que estar sempre pronta para satisfazê-lo? Isso me parecia abuso demais!
Mesmo assim, eu fazia grandes planos para a data: comprei coisas e pesquisava onde encomendar outras, tudo para agradá-lo. Passei meses planejando tudo com muito carinho para que foss um dia especial. Eu queria ter um momento feliz depois de tanto tempo sentindo falta disso. E talvez, nos dias seguintes a um dia de felicidade, ele estivesse mais receptivo para discutimos o que havia de errado, além de perguntá-lo de uma vez por todas se ele estava disposto a “recomeçarmos”.
Entretanto, quanto mais o dia se aproximava, mais eu me decepcionava. Eu só recebia falta de consideração em troca e a situação chegou a tal ponto que eu não aguentava mais esse sofrimento. Era demais para mim, para minha cabeça e para meu corpo, que inclusive adoecia por tudo que se passava. Com cerca de 20 dias de antecedência explodi! Explodi por não aguentar mais tantas faltas de carinho e respeito seguidas. Decidi que eu não merecia mais aquela humilhação, que eu merecia ser feliz!

Alguns dias depois, tivemos uma conversa curiosa em um almoço que marquei com ele, para esclarecer melhor as coisas. Em meio a lágrimas de crocodilo, ele me implorava para que eu ficasse, mas nunca me perguntou o que havia de errado e o que poderia (pelo menos tentar) fazer para melhorar, embora hoje eu veja que não havia conserto. Se ele realmente me amasse como dizia, ele tentaria mudar a situação. Ao invés disso, se limitou a me propor que passássemos a sair sem compromisso (ou seja, sexo eventual). Como obviamente neguei isso, ele me propôs que continuássemos amigos. Como pessoa, ele era ( ou pelo menos me parecia) ser alguém bom, e como éramos amigos antes, nada mais justo que continuássemos amigos.
Para mim, o pedido era palavra de honra. Continuei frequentando normalmente a casa dele e dos parentes dele, pessoas super gentis com as quais estreitei laços de amizade. Continuavam me chamando para as festas e sempre fui Sempre tratei a todos e fui tratada com muito respeito e carinho e da minha parte não deixarei de fazê-lo.
Mas a suposta amizade com ele durou cerca de um ano. Enquanto eu me preocupava em ser gentil, entrar em contato, visitá-lo, manter uma amizade agradável, ele “retribuía” sendo novamente falso comigo. Primeiramente, de uma hora para outra ele passou a ter a melhor das vidas, onde ele relatava que tudo que ele fazia era interessante e prazeroso. Agora era ele quem protagonizava monólogos, contando seus grandes feitos. Ou seja, ele fazia questão de jogar na minha cara que agora a vida dele era boa, logo, quando estava comigo era um lixo.
Depois ele passou a fazer falsas promessas, de coisas simples. Depois me humilhar em público, quando encontrar comigo fosse inevitável. Em seguida passou a fingir que eu não existia, a evitar lugares onde ele sabia que eu estava, a se esconder para não me ver. Por último, não é mais capaz nem de dizer mais um “oi” ou pronunciar meu nome.
Em última conversa com o meliante, ele me confirmou alguns dos fatos expostos acima e sobre outros se recusou a responder. Quem cala consente... Pelo menos ele admitiu ter errado comigo. Já é um começo, afinal para se curar, é necessário saber que doença se tem.

É muito triste perceber que uma pessoa com quem se conviveu por tanto tempo é capaz de ser tão falsa, tão baixa. Sinceramente não sei sinto mais pena ou nojo dele. Sinto também muita rava de mim mesma, pois hoje percebo o quanto fui burra todos esses anos, ao me rebaixar por me entregar a pessoa dessas e por não perceber antes toda a sua falta de caráter. Mas essa raiva vai passar, tenho certeza, afinal a raiva não é um sentimento edificdor.



Mas como tudo na vida, há o seu lado bom. Depois que terminei com ele, tantas coisas boas aconteceram na minha vida! Tenho quase certeza que minha energia estava presa, amarrada, arraigada a algo que me prendia e me fazia sofrer. Parece que cada vez mais minha energia flui, com tanta alegria e vivacidade que nunca experimentei antes. E nos últimos meses ainda mais, motivada, dentre outras coisas, pelo fato de ele me ignorar totalmente, somente confirmando todas as conclusões as quais eu havia chegado.
Precisei sofrer para perceber o quanto fui ingênua e burra e o quanto eu não amava a mim mesma. Felizmente hoje me considero uma nova pessoa: livre, feliz e maravilhosa. Simplesmente Ab Fab!

6 comentários:

Linda disse...

Desejo, que seja muito feliz.Bjs

Juliana disse...

Não seinta raivade si, querida. Fique feliz e grata a si mesma pelos 3 anos e meio de crescimento e alegrias que você se permitiu vivenciar... Cada um de nós tem suas provas e suas dificuldades, e o amor, para a maioria, é a maior prova.

Anônimo disse...

Vc ainda está roxa? Lendo posts hoje acabei, sei lá, se rindo ou chorando: a "fera" - tá lá na pg dele - (o imbecil com quem vivi)vai ao circo (um programa na mídia) se exibir pra alguém cujo interesse no FB resume-se a homens. Ok.Errei. Errei 18 anos, 2 costelas trincadas, muitos hematomas, cicatrizes na perna e um dedo do pé quebrado que não me permite mais sentar em lótus. Acho que vou consertar os dentes dele -COISA COELHO e de quebra, literalmente,quebrar o seu pau.

patricia disse...

Meninas, não aceitem isso: violência nenhuma, venha de quem vier ou de que forma for. Somos borboletas , (temos / podemos) todas as cores são possíveis. As asas estão abertas, medo de altura não vai nos levar a nada. bj.

Borboleta Roxa disse...

Oi amiga anômina.
Felizmente o "roxa" no nome do blog não tem nada a ver com isso. É só minha cor favorita.
Por sorte ele nunca levantou nem a mão nem a voz para mim. Ele até brigava comigo se eu me auto-xingasse de feia, burra ou algo do tipo. As "agressões" eram morais, mas feitas tão sutilmente que eu mesma demorei para percebê-las.

Borboleta Roxa disse...

Oi Patricia,
Violência, seja como for, não deve ser aceita por ninguém. No meu caso, nem posso dizer que foi violência, foi mais falta de respeito.
Gostei muito do que falou sobre as borboletas e sobre nossos medos.